30 conselhos para Jovens Teólogos.

Por John Frame

1. Considere que você pode realmente não ser chamado para o trabalho teológico. Tiago 3:1 nos diz que muitos de nós não devem tornar-se mestres e que os mestres serão julgados com maior rigor. A quem muito (conhecimento bíblico) é dado, muito exigido.

2. Valorize seu relacionamento com Cristo, sua família, e com a igreja acima de suas ambições de carreira. Você vai influenciar mais pessoas por sua vida do que por sua teologia. E deficiências em sua vida podem negar a influência de suas ideias, mesmo que essas ideias sejam verdadeiras.
3. Lembre-se que o trabalho fundamental da teologia é entender a Bíblia, a Palavra de Deus, e aplicá-la às necessidades das pessoas. Tudo o mais, especificação histórica e linguística, perspicácia exegética, o conhecimento da cultura contemporânea e sofisticação filosófica, deve estar subordinado a esse objetivo fundamental. Se não for assim, você pode ser aclamado como um historiador, linguista, filósofo ou crítico de cultura, mas você não vai ser um teólogo.

4. Ao fazer o trabalho da teologia (descrito no ponto acima), você tem a obrigação de construir um argumento para o que você defende. Isso deveria ser óbvio, mas a maioria dos teólogos hoje não tem a menor ideia de como fazer isso. A teologia é uma disciplina argumentativa, e você precisa saber o suficiente sobre lógica e persuasão para construir argumentos que são válidos, sólidos e persuasivos. Na teologia, não é suficiente apenas demonstrar o conhecimento da história, da cultura, ou algum outro conhecimento. Também não é o suficiente citar pessoas que concordam com você e reprovar as pessoas que discordam. Você realmente tem que construir um argumento teológico para o que você afirma.

5. Aprenda a escrever e falar de forma clara e convincente. Os melhores teólogos são capazes de apresentar ideias complexas numa linguagem simplificada. Não tente convencer as pessoas de seu conhecimento através de uma linguagem obscura, sem transparência.

6. Cultive uma intensa vida devocional e ignore as pessoas que criticam isso acusando-lhe de pietismo. Orai sem cessar. Leia a Bíblia, não apenas como Lê um texto acadêmico. Valorize todas as oportunidades de participar de cultos e reuniões de oração no seminário e aos domingos na igreja local. Dê atenção à sua “formação espiritual”.

7. Um teólogo é, essencialmente, um pregador, embora ele normalmente lide com assuntos mais emblemáticos do que pregadores lidem. Mas deve ser um bom pregador. Encontre alguma maneira de fazer a sua teologia falar ao coração das pessoas. Encontre uma maneira de apresentar o seu ensino para que as pessoas ouçam a voz de Deus nele.

8. Seja generoso com seus recursos. Passe algum tempo conversando com alunos e futuros alunos. Doe livros e artigos. Não seja mesquinho quanto à questão dos direitos autorais; conceda permissão de cópia a qualquer um que lhe pedir. Ministério primeiro, segundo dinheiro.

9. Ao criticar outros teólogos, tradições, ou movimentos, siga a ética bíblica. Não diga que alguém é um herege, a menos que você tenha um caso muito claro diante de si. Não banalize termos do tipo "outro evangelho". (As pessoas que ensinam outro evangelho estão debaixo da maldição de Deus). Não destrua a reputação das pessoas com citações erradas, fora de contexto ou tomando suas palavras no pior sentido possível. Seja gentil e gracioso, a menos que você tenha motivos irrefutáveis ​​para ser duro.

10. Quando se levantar uma controvérsia, não assuma um dos lados imediatamente. Faça algum trabalho analítico em primeiro lugar, analisando ambas as posições. Considere as seguintes possibilidades: (a) que as duas partes podem estar olhando para o mesmo problema a partir de diferentes perspectivas, mas não se contradizem; (b) ambos os labos podem estar despercebidamente desprezando um ponto que poderia fazê-los pensar de maneira conjunta; (c) que eles não se comunicam entre si porque usam os mesmos termos de formas distintas; (d) que existe uma terceira alternativa, bem melhor do que qualquer um dos pontos das posições opostas e que poderia uni-los; (e) que as suas diferenças, embora legítimas, deveriam ser toleradas na igreja, como eram as diferenças entre os vegetarianos e comedores de carne citados em Romanos 14.

11. Se você tiver uma ideia brilhante, não espere que todos possam abraça-la imediatamente. Não comece imediatamente uma facção para promovê-la. Não insulte aqueles que não apreciam o seu pensamento. Argumente delicadamente com eles, reconhecendo que você pode estar errado e talvez não tenha a humildade para assumir.

12. Não seja abusivamente crítico com tudo o que vem de uma tradição diferente. Seja humilde o suficiente para considerar que outras tradições podem ter algo a ensinar-lhe. Seja dócil antes de começar a ensiná-los. Tire a trave do seu próprio olho.

13. Esteja disposto a reexaminar sua própria tradição com um olhar crítico. É razoável pensar que qualquer única tradição tem toda a verdade ou está sempre certa. E, a menos que os teólogos desenvolvam perspectivas críticas sobre suas próprias confissões e tradições, a reunião do corpo de Cristo nunca ocorrerá. Não seja um desses teólogos que são conhecidos principalmente por tentar fazer arminianos virarem calvinistas (ou vice-versa).

14. Veja os documentos confessionais com a perspectiva adequada. É o trabalho da teologia, entre outras coisas, repensar as doutrinas das confissões e reformá-las, quando necessário, pela Palavra de Deus. Não presuma que tudo na confissão está bem resolvido para sempre.

15. Não deixe que suas críticas sejam governadas por ciúme, como quando um teólogo se acha na obrigação de ser totalmente negativo para com o sucesso de uma mega-igreja.

16. Não se torne conhecido como um teólogo que atira constantemente na direção de outros teólogos e cristãos. Os nossos inimigos são: Satanás, o mundo e a carne.

17. Proteja seus instintos sexuais. Fique longe de pornografia na Internet e relacionamentos ilícitos. Teólogos não estão imunes aos pecados que afligem outros na igreja.

18. Seja ativo em uma boa igreja. Teólogos precisam dos meios da graça, tanto quanto os outros crentes. Isto é especialmente importante quando você está estudando em uma universidade secular ou seminário liberal. Você precisa do apoio de outros crentes para se manter na perspectiva teológica adequada.

19. Obtenha sua formação básica em algum seminário que ensina a Bíblia como a Palavra de Deus. Procure familiarizar-se com a teologia das Escrituras antes de se expor (se for o caso) a formas de pensamentos não bíblicas.

20. Aprecie a sabedoria, mesmo a sabedoria teológica dos cristãos relativamente iletrados. Não seja um desses teólogos que sempre tem algo negativo a dizer quando um crente simples descreve sua caminhada com o Senhor. Não as subestime, comparando-as com Helmut Thielicke "o pedestal da iluminação". Muitas vezes, os crentes simples conhecem a Deus melhor do que você, e você precisa aprender com eles, como fez, por exemplo, Abraham Kuyper.

21. Não seja um desses teólogos que fica animado sobre cada nova tendência na política, cultura, hermenêutica, e até mesmo teologia e que acha que temos que reconstruir nossa teologia para ir junto com cada tendência. Não pense que você tem que ser um feminista, por exemplo, só porque todo mundo é. A maioria das teologias que tentam ser culturalmente mais conhecidas não são bíblicas.

22. Desconfie de todos os modismos da teologia. Quando todo mundo pula em algum movimento teológico, quer teologia narrativa, feminismo, história da redenção, lei natural, liturgia, libertação, pós-modernismo, ou o que vier, este é o tempo para despertar suas faculdades críticas. Não entre no movimento a menos que você tenha feito o seu próprio estudo. Quando uma corrente teológica surge, reflita na seguinte questão: "O que há de errado com isso?" Há sempre alguma coisa errada. Não necessariamente o mais novo é o mais correto. De fato, muitos movimentos novos se tornarão falsos passos.

23. Nosso sistema de educação em nível de doutorado requer "pensamento original", mas isso pode ser difícil de fazer, uma vez que a igreja vem estudando as Escrituras por milhares de anos. Você vai ser tentado a realizar algo que seja novo (possivelmente escrevendo uma tese que não é propriamente teológica em tudo no sentido do ponto 3). Tente fazê-lo sem sair do caminho de uma teologia verdadeira.

24. Ao mesmo tempo, não rejeite a inovação simplesmente porque é inovadora. Ainda mais, não rejeite uma ideia simplesmente porque ela não soa com o que você está acostumado. Aprenda a distinguir o “som de uma ideia” do o que ela diz de fato.

25. Seja crítico com argumentos que se transformam em metáforas ou termos técnicos extra bíblicos. Não presuma que cada um tem um significado perfeitamente claro. Normalmente, não é este o caso.

26. Aprenda a ser cético com aqueles que são céticos. Estudiosos incrédulos e liberais são tão propensos a erros como qualquer pessoa - na verdade, mais ainda.

27. Respeite os mais velhos. Nada é tão ruim do que tornar-se um jovem teólogo que despreza aqueles que têm trabalhado no campo por décadas. Desacordo é bom, desde que você reconheça a maturidade e as contribuições daqueles que você discordar. Guarde 1 Timóteo 5: 1 para o coração.

28. Teólogos jovens muitas vezes se imaginam como o próximo Lutero, assim como os meninos se imaginam como o próximo Peyton Manning* ou Kevin Garnett**. Quando eles estão velhos demais para brincar de cowboys X índios, eles querem brincar de Lutero X Papa. Quando o Papa não entra na brincadeira, eles pegam alguém e dizem: “Aqui está você”. Provavelmente Deus não te escolheu para ser o líder de uma nova Reforma. Se ele escolheu, não chame a si mesmo de "reformador". Deixe que os outros decidam se isso é realmente o que você é.

29. Decida no início de sua carreira (depois de algumas experiências) o que focar e o que não. Ao considerar oportunidades, é tão importante (talvez até mais) saber quando dizer “não” como saber quando dizer “sim”.

30. Não perca seu senso de humor. Devemos levar Deus a sério, não a nós mesmos, e certamente não a teologia. Perder o seu senso de humor é perder seu senso de proporção. E nada é mais importante na teologia do que um senso de proporção.

(Texto original aqui)

Autor: John Frame

Fonte: Electus
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