Bajulação.

O texto ora em consideração é parte de uma defesa e apelo em forma de chamada à atenção ao modelo de servo do Senhor Jesus quanto à fidelidade, à honestidade, à simplicidade e à humildade, no desempenho da obra que realiza. Esse texto foi escrito por Paulo dirigido a pessoas que “bem sabiam” quem ele e seus cooperadores eram, o que fizeram, como realizavam a obra de Deus e o que lhes acontecia nas empreitadas a serviço do Mestre.

O que promove e fortalece o crédito sobre aquele que trabalha para o Senhor são: o seu testemunho pessoal, pois que este declara que pessoa é; o conteúdo do que faz, porquanto nisto são vistos os seus frutos; e a maneira como procede realizando o seu trabalho. É preciso que as pessoas “bem saibam”, visto que quem bem sabe sobre alguém não cai nas malhas de agentes do embuste, sonhadores de aventuras, operadores da mercadejação, artistas do engano, funcionários da fraudulência, engenheiros do pretexto e amigos dos interesses.

O apóstolo Paulo teve uma vida extremamente usada por Deus. Sua espiritualidade e sua sabedoria conciliavam virtudes e valores mantidos conjugados com o seu temor a Deus. Enfim, uma vida coberta de experiências vivenciais, e que potencialmente se permitiu ao servir a Deus. Não era um tribuno impecável e nem um orador destro como Apolo, todavia possuía uma vida capaz de ser recipiente de unção, graça e ter uma pregação coberta visivelmente pelo poder do Espírito.

Em tudo que deixou escrito, coisa alguma indica que sua vida esteve de alguma forma ou maneira ligada à bajulação, ou à ação de facultar ou receber favores da sua prática por outros cristãos. Em tudo que deixou escrito, coisa alguma indica que haja se beneficiado da bajulação ou por ela.

Paulo foi o tipo de líder cristão que jamais se submete às facilidades e promoções agenciadas pela bajulação. Os labirintos da bajulação jamais tiveram em suas paredes uma placa de oferta de benefícios a Paulo, ou uma porta de favorecimento de manobras cedida a ele. Não sei o que Paulo diria de alguns ministérios ditos “evangélicos” de nosso tempo, assim como não sabemos como ele seria acolhido neles.

Ministros, obreiros e trabalhadores da obra semelhantes a Paulo na mesma mentalidade e propósitos certamente seriam politizada e classicamente convidados a se retirarem e se transferirem por motivos de surgimento de “entraves” e “discordâncias”, tanto em relação à manutenção, à gerência e ao emprego dos recursos como aos procedimentos e práticas.

Apesar de ser levantado pelo Senhor depois de todos os demais apóstolos, Paulo pôde dizer que sua escolha e chamada não dependeram de nenhum homem ou por favorecimento de homem algum. Não é demais dizer que temos encontrado turbilhões de escolhidos e chamados pelas generosas e aquiescentes indicações dos sindicatos da bajulação. O pequeno problema é que esses não florescem e tampouco frutificam, e com o passar do tempo no calor das empreitadas e nos períodos da sequidão desgovernam-se da linha e desequilibram-se do prumo, perdem-se das medidas da régua e encolhem-se dos ângulos do esquadro.

O apóstolo Paulo foi um amante da sinceridade, da franqueza e da verdade. Seus escritos nos revelam a sua capacidade de se portar e de lidar com segurança e convicções pessoais diante da franqueza e da sinceridade alheias, assim como a sua valorização para com a verdade e a honestidade. 

O nobre Doutor Willis Peter de Boer, na sua consistente obra “The Imitation of Paul: An Exegetical Study”, deixa claro que a vida de Paulo possuía e deixava transparente virtudes firmes e valores convictos cuja prática vale muito ser imitada em todos os tempos por todos aqueles que seguem o Senhor Jesus Cristo em quaisquer ambiente e circunstância. 

O nobre estudioso Doutor também na mesma obra nos deixa ver que a vida de Paulo teve impressas as marcas da coragem, da ousadia, do poder nas palavras e no espírito, da capacidade de reconhecer e apoiar os seus companheiros e os rebanhos aos quais se dirigiu e serviu. 

Também notamos na grande obra “Paul and Friendship”, diligentemente escrita pelo estudioso, Doutor Fitzgerald, que o apóstolo Paulo soube lidar com todos os tipos de personalidade e de caráter que com ele interagiram. Aqui nos deixa ver que Paulo jamais perdeu ou matizou o seu foco comportamental para atender aos reclames da bajulação. 

Os melhores dicionários definem a palavra “bajulação”. Neles, bajulação significa lisonja, adulação, servilismo, excesso de admiração, elogios interesseiros com o fim de tirar proveito pessoal de alguém sobre algo. Elogios exagerados, excesso de elogios com a finalidade de obtenção de privilégios, de favores, de benefícios.

A palavra que denomina a ação de bajular vem de uma das antigas línguas, o latim. Trata-se de “bajúlo”, que significa “levar alguém, ou algo, no colo ou nas costas”. O “bajúlo” faz isso interessado em lograr algum benefício. Geralmente os amantes da bajulação alimentam escondidos no seu coração outros feios pecados co-irmãos e impulsores da bajulação. Alguém disse que o ponto vulnerável do bajulador reside nas suas incapacidades de alcançar seus objetivos e satisfações de forma honesta, legítima, correta e honrosamente.
Independente de posição, cargo, condição, status, a bajulação tem sido usada por grandes e pequenos. Apesar de alguém inferir que a bajulação possa estar presente com maior incidência em gente pequena, ela também está no meio de gente grande. Gente pequena a usa para conseguir o que anseia e gente grande a emprega como uma ferramenta de controle, de liderança, de manipulação e de captação.

A palavra “bajulação” do texto em apreço traduz a sua original do texto grego neotestamentário “kolakeias”, “kolakia”. Ela se refere a falas enganosas com o interesse de tirar lucro, proveito, das pessoas empregando a eloquência, a facilidade de expressão comunicativa. É a aplicação de fala enganosa para ganhar o íntimo das pessoas e explorá-las. O latim a traduziu para “adulationem”. 

A bajulação é inimiga da franqueza (Gr. “parrēsia”, “parrēsian”), é inapta à concórdia (Gr. “homonoia”) e perniciosa contra esta. Jamais aprendeu os passos da verdadeira gentileza (Gr. “epieikeias”, “epieikēs”). 

A presença da bajulação também se configura quando da extrapolação dos limites aceitáveis, normais e equilibrados da admiração e do elogio. Essa extrapolação mostra os indícios de manobra artificiosa da bajulação. A bajulação serve como um veículo que se calca no interesse, mas também oferece apoio à vaidade e à mentira. 

A bajulação é uma arma perigosa que tanto pode disparar contra quem a empunha quanto contra a quem é apontada. A bajulação exagera os méritos de outrem com os fins interesseiros. Ela auxilia em enfraquecer muralhas, minar impérios, derribar tronos, mas também forja e eleva títulos, coroas e anéis. Ela instiga cárceres e covas, mas também favorece leões e nas suas bocas é encerrada.

O espírito da bajulação perambulou e passeou pela Terra, e vendo a vulnerabilidade e a tendência do coração de alguns homens para a vaidade. Encucou em alguns e fez sentirem-se como se fossem “assistentes” para se prestarem a algumas “assistências”. Da mesma forma, encontrou o venerando título de “conselheiros” para conscientizar outras cujos conselhos ocultam as cartas dentro das mangas e o “amolador de língua” no bolso.

Além disso, denominou umas como “assessores” para servirem de assessoramento a coletas de informações e particularidades alheias. E por fim, com o objetivo de evitar vexames, execração e vergonha, e como indulgência emblemou classicamente outros com os títulos amenos de “secretários”, “ajudantes” e “auxiliares”, com os fins respectivos de secretariar despachando e arquivando feias confidências, ajudar montando esquemas e arquitetando circuitos e auxiliar consolidando caminhos de manobras e direcionando saídas, respectivamente.

Existe a bajulação que olha para benefícios instantâneos, e há a bajulação que ocultamente visa lograr benesses remotas. A bajulação jamais teve os brios da paciência, entretanto é doutora na sagacidade, na espreita e no oportunismo. Os amantes da bajulação sempre concentram o seu foco para si mesmo. São sempre descartados e realmente não-confiáveis, visto que seus olhos somente avistam interesses, seu olfato somente alcança cheiro de vantagens e sua boca somente fala lisonjas sepulcrais. 

Os episódios da história deixam claro que a visão deles enxerga os outros como degraus, trampolins, que facilitam, viabilizam e promovem a consecução de seus intentos pessoais. Certamente que todo amante da bajulação sempre foi não-confiável, posto que o embuste de seu caráter espelha o preço de suas ações. Os amantes da bajulação jamais despretensiosamente tiram alguém do poço, posto que do fosso da insatisfação nunca saíram e na fossa da falsidade sempre nutrem o seu paladar.

O monarca francês Henrique IV disse “Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com vinte tonéis de vinagre”. Ou seja, quanto à bajulação, um pouco dela favorece colher muito mais favores do que seriam colhidos com a multidão de franquezas e sinceridade. Muitas vezes o útil amargo da franqueza promissora é desprezado pela enganosa doçura da bajulação arruinadora. 

Existem os amantes passivos da bajulação. Estes não a cometem, entretanto amam ser alvos favorecidos dela. Há os amantes ativos da bajulação. Estes a cometem e exercem os seus mecanismos naturalmente como se exercessem uma profissão ou uma prestação de serviços. Quase sempre são despercebidos de que apenas passam por ferramentas e meios descartáveis usados para que outros com os seus “favores” atinjam fins. 

Um coração amante da bajulação jamais consegue escondê-la por muito tempo. Ela nasce silenciosa e acompanhada de sorrisos leves e cócegas, mas morre aos lamentos de dores e calafrios. Ela nasce com atitudes e aflora-se no comportamento, visto que em algum momento se expressa por palavras ou externada por ações. Todo amante da bajulação é desonesto com Deus, consigo mesmo e com os outros. 

Mil vezes melhor é estar no meio da batalha ladeado por apenas um amigo franco, sincero, honesto, leal, verdadeiro e direto, do que assistido no meio de um exército por multidão de colegas bajuladores. Difícil coisa é construir amizade com alguém franco, sincero, honesto, leal, verdadeiro e direto, mas também depois que a enlaça, se necessário for passa-se a noite no cárcere com ele como se na farra pernoitasse. 

Geralmente os amantes da bajulação desconhecem o significado e os limites da capacidade e da habilidade de ser agradável. Ser agradável é uma virtude que começa em nosso relacionamento individual com Deus e depois se estende aos nossos relacionamentos com os homens. As raquetes que rebatem contra os desagradáveis certamente já foram um dia por estes rebatidas ao lhes ser oferecida a agradabilidade. 

Com o fim de alcançar o pretenso objeto de sua realização pessoal, o amante da bajulação submete o seu íntimo a contrariar-se a si mesmo, compromete os pilares sustentadores de sua natureza, desconsidera as rédeas de sua própria consciência e ludibria os pontos vitais de seu próprio caráter. Geralmente o bajulador vive às custas de quem lhes cede atenção às suas palavras e ações. 

Os amantes da bajulação são conciliados com a idolatria em alguma de suas muitas faces. Ainda que não queiram demonstrar, são permissionários concordantes da falsidade e peritos do fingimento e das simulações. É muito mais provável e bem possível que alguém passe a ter afinidades com a bajulação e se tornar amante dela, do que o seu amante se transformar em defensor da franqueza, da honestidade e da sinceridade. 

Os amantes da bajulação estão fadados a um trágico fim – quando caem em si, terminam por trilhar as vias do ceticismo e não mais acreditarem nem mesmo em suas próprias experiências. Para eles o mundo todo lhes aparece como uma grande selva de embustes, e os que lhe rodeiam passam a ser vistos como pessoas não-confiáveis. As pessoas diferenciadas, aos seus olhares são vistas indignas de serem alvos de sua confiança. Enfim, os amantes da bajulação desconfiam até de alguma virtude que possui e da qualidade das roupas e acessórios que vestem. 

Na Sagrada Escritura encontramos os desastres do rei Acabe. Nele é vista uma figura de caráter defeituoso. O rei Acabe se escondeu por trás da esposa Jezabel para se fazer agradável ao seu reino. Amava e se satisfazia em receber bajulações, todavia detestava ser confrontado com a franqueza e a sinceridade e sentia-se ameaçado pelas verdades alheias. Para Acabe, o melhor era ouvir centenas de palavras lisonjeiras por bajuladores triunfalistas do que receber uma pequena frase verdadeira dita por um mensageiro franco. 
Que vidas não sejam arruinadas pelo espírito da bajulação. 

Que esse sujo não continue a cativar sócios, nem a minar o brilho do sagrado ministério cristão evangélico e tampouco assumir lugar no sagrado púlpito cristão como se pregador algum dia fosse. Que o espírito da bajulação seja contido e banido no seio dos rebanhos do Senhor, para que as ovelhas sejam preservadas da ilusão das lisonjas enganosas e povo do Senhor não venha ser corrompido. 

Queira o Senhor Deus e assim tanto faça para que corações se divorciem definitivamente do espírito da bajulação e com este quebre alianças. Que planos, projetos, empreendimentos, tratamentos e relacionamentos sejam cobertos pela franqueza, pela honestidade e pela sinceridade. Que não haja um lugar se quer cedido ao desastroso espírito da bajulação. 

Que o nosso Bondoso e Misericordioso Deus nos guarde livres do servilismo, da subserviência, da adulação e fora do alcance da bajulação. Que nenhum dos mecanismos e ferramentas da bajulação alcance sucesso contra os filhos do verdadeiro Reino, e nem obtenha êxito e ganhos com palavras lisonjeiras.

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