A letra mata, mas o Espírito vivifica.

“O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito!
Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça. Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobre excelente glória. Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente. Tendo, pois, tal esperança, servimo-nos de muita ousadia no falar” (2ª Co 3.6-12).
O apóstolo Paulo ensinando a igreja de Corintos, expressa um contraste importante entre a impropriedade do sistema do Velho Testamento e a suficiência de Cristo para nos salvar do pecado.

A “letra” representa o “ministério da morte, gravado com letras em pedras” que foi dado aos israelitas através de Moisés (3.7, 3). O “Espírito” representa a Nova Aliança de Cristo, revelada através do Espírito Santo e escrita em nossos corações (3.3,4,6,8).

“Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus” (Rm 2.29).

Qualquer rito, sinal ou obra que fizemos, se não for resultado da operação da graça de Deus em nossa vida, não tem nenhuma validade.

Algumas pessoas, quando confrontadas com o fato que suas doutrinas e práticas humanas não são aprovadas no Novo Testamento, são tão orgulhosas ou tão cegas, que não admitem seu erro. Em vez disso, elas usam este versículo na face daquele que está salientando a importância de obedecer Cristo e sugerem que o estudo cuidadoso da Bíblia é inútil e até perigoso, “porque a letra mata, mas o Espírito vivifica”. Que blasfêmia contra a Palavra de Deus.

Há ainda mais uma triste ironia com este argumento, que não deveríamos estudar a Bíblia cuidadosamente porque “a letra mata”.

As pessoas que usam 2 Coríntios 3.6 para fugir de suas responsabilidades de obedecer alguma instrução de Cristo são as mesmas que apelam para o Velho Testa-mento, para defender suas “doutrinas” não autorizadas pelo Novo Testamento, como revelado pelo Espírito. Não temos nenhum direito para retornar à “letra” escrita em tábuas de pedra para fugir do ensinamento da Nova Aliança.

O motivo de sua nova vida frutificada não vem das demandas da lei, mas do desejo de corresponder ao amor de Deus (v. 4). O Espírito Santo dá o poder de viver uma nova vida com Cristo (v. 6).

“A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt 26.27-28).

O pacto Mosaico foi inaugurado com um sacrifício (conforme Êxodo 24.28). A antítese entre o Espírito e a letra (lei), aponta para o novo advento, aquele em que a Nova Aliança profetizado por Jeremias (Jr 31.31-34).

A letra significa a concepção de guardar a lei exteriormente com toda a força moral que o homem pode levantar. “Espírito” fala das novas relações e forças produzidas em Cristo Jesus pelo Espírito Santo. Paulo procura mostrar para os cumpridores da lei que ela mata o homem por ser difícil de cumprir. “A letra mata e o Espírito vivifica” (2ª Co 3.6).

“Porque, quando vivíamos segundo a carne, as paixões pecaminosas postas em realce pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarem para a morte. Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra” (Rm 7.5-6).

“Outrora, sem lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo mandamento me matou. Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou”(Rm 7.9-11).

A lei trouxe o conhecimento do pecado (Rm 7.7); sem a lei estava morto o pecado (Rm 7.8). A percepção do pecado através da instrumentalidade da lei torna as pessoas conscientes de sua morte espiritual. “Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1.15).

É notório que o farisaísmo estimula ao pecado. Quanto mais regras forem colocadas na igreja a proporção de pecar é maior. O principal fruto que as igrejas farisaicas têm consigo é magoar as ovelhas e fazer crescer ainda mais o número de desviados. O irmão caído dificilmente é procurado para uma ajuda, um conselho. É bem mais fácil derrubá-lo de que juntá-lo. Essas atitudes são tomadas pelos santarrões fariseus e puritanos, que reservam em segredo seus pecados ocultos. Atitudes essas que jogam centenas de almas no mundo diariamente. O Povo de Deus parece ser o único exército que mata os feridos. Salomão o grande sábio diz em seus Provérbios: “O que ganha almas sábio é” (Pv 11.30).

Gloriam-se na religião.

“Se, porém, tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; que conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei; que estás persuadido de que és guia dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutor de ignorantes, mestre de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade; tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?” (Rm 2.17-21).

[...] Justamente quando os líderes pensavam que ganhariam elogios, foram denotados. Paulo disparou: “Vocês, judeus, confiam na lei, em vez de confiar no Legislador, e ufanam-se de ter o monopólio de Deus. Vocês estão convencidos de que são uma parte dos eleitos privilegiados que “sabem” (sem sombra de dúvidas) o que Deus quer que se faça. E se isso não fosse ruim bastante, vocês “pensam” que são uma dádiva de Deus para os loucos e confusos. De fato, vocês “pensam” que sabem tudo, no entanto não sabem nada.

“Vem-me a mente a história do lenhador. Por alguma razão, o menino convenceu que havia fantasma na floresta. Isso preocupou seu pai que, havendo feito das árvores um meio de vida, esperava que o filho fizesse o mesmo. A fim de encorajar o filho, o pai deu-lhe seu lenço dizendo-lhe:

– Os fantasmas têm medo de mim, meu filho. Use este lenço, e eles terão medo de você. O lenço fará de você um lenhador.

E assim o rapaz fez. Usou o lenço orgulhosamente, dizendo a todos que era um lenhador. Todavia, nunca entrou na floresta, e nunca cortou uma árvore, mas desde que ganhara o lenço do pai, considerava-se a si mesmo um lenhador.

O pai teria sido sábio se houvesse ensinado ao filho que não havia fantasma, em vez de ensiná-lo a confiar num lenço.

Os judeus confiavam nos lenços de seus pais. Dependiam da Aba de sua herança. Não importa que fossem ladrões, adúlteros e escroques (Rm 2.22-23); ainda consideravam a si mesmo como os eleitos de Deus. Por quê? Porque tinham o lenço.

Talvez lhe tenham dado um lenço e se glorie nele. Mas o que representa o lenço?

O lenço representa as tradições religiosas que você recebeu de seus pais, os quais ainda hoje, muitos confiando nele. Mas, é melhor confiar na verdade que confiar em um lenço.

Assim como os rituais da lei não trazem bônus, as tradições deixadas pelos ancestrais, não trazem salvação (ORTIZ.).

Pr. Elias Ribas
Igreja Ev. Assembléia de Deus
Blumenau - SC

FONTE DE PESQUISA

1. JUAN CARLOS ORTIZ, o discípulo, 6ª edição, 1980, Editora Betânia. Venda Nova MG.
2. Dennis Allan. A Letra Mata, mas o Espírito Vivifica. http://gospelbrasil.topicboard.net/t2319-a-letra-mata-mas-o-espirito-vivifica - acesso dia 20/09/2012.
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